Spread bancário: o que é e como ele te afeta

E por que no Brasil o spread é um dos mais altos

Você pode não ter reparado, mas os bancos cobram juros mais altos ao emprestar dinheiro do que em rendimento em aplicações financeiras. Em resumo, essa é a definição do spread bancário.

Quando você realiza um depósito bancário, por exemplo, você está emprestando seu dinheiro àquela instituição financeira, que utilizará parte deste dinheiro para realizar empréstimos. A taxa que esse banco vai pagar para sua poupança será sempre menor que a que ele cobra nos empréstimos. Essa diferença é o spread.

E porque razão os bancos agem dessa maneira? Se você não sabe o motivo, é para isso que este artigo lhe servirá. Além de pagar os juros ao investidor que aplica seus recursos, o banco utiliza o restante do dinheiro para pagar os seus custos e ficar com o lucro. Segundo o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, 40% do spread é destinado a uma reserva que age contra a inadimplência, protegendo a instituição financeira dos famigerados calotes. Além do lucro do banco, os custos administrativos, como salários de funcionários e até os impostos usufruem dessa quantia.

O spread existe, portanto, a fim de remunerar o banco diante do risco de crédito iminente no momento dos empréstimos. Caso essa remuneração não fosse superior ao valor captado mais inadimplência, impostos e os outros custos, seria inviável a possibilidade de se tomar emprestado algum dinheiro junto aos bancos.

Todos os bancos do mundo utilizam o spread, pois é como funciona o sistema financeiro global. Contudo, no Brasil, o spread é altíssimo, pois ele acompanha a taxa básica de juros, a Selic, que da mesma maneira é uma das mais altas do mundo. É por este motivo que o spread tende a sofrer queda quando a Selic está em baixa.

Como muitos investimentos pagam juros que são atrelados à Selic, os bancos acabam pagando menos pelos recursos captados no mercado. Ou seja, se a Selic cai, surge a possibilidade de todas as outras taxas de créditos caírem, bem como o spread.

Como reduzir o spread?

O governo brasileiro já reduziu taxas de juros cobradas pela Caixa e Banco do Brasil, a fim de estimularem a concorrência, forçando os privados a fazer o mesmo. Funcionou durante um tempo, com bancos privados anunciando reduções nas taxas de juros. Mas há algumas outras coisas que podem fazer com que o spread diminua.

- Impedir empréstimos a maus pagadores, a fim de reduzir a inadimplência;

- Afrouxar o compulsório, o que faria com que bancos ficassem com mais dinheiro para

operar, o que reduziria o impacto do compulsório no spread;

- Redução de impostos, já que os bancos repassam os impostos a seus clientes.

- Diminuição no depósito compulsório;

- Diminuição dos custos judiciais na recuperação de crédito.

Contudo, para os investidores comuns, a melhor maneira de evitar o spread é não fazendo dívidas, porque assim você economiza estes gastos pagos aos bancos. Além disso, organização financeira pode ajudá-lo a aplicar essas economias em investimentos rentáveis.

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